Noiva cancela casamento em Sorocaba ao cair em golpe de suposto trabalho no exterior


Um dos comparsas da mulher iria buscar 
o grupo e levar ao Rio de Janeiro 
(Foto: Arquivo pessoal)

06 de JULHO 2018 - Foi horrível, nunca pensei em passar por uma situação dessas, me senti a pior pessoa do mundo." Este é o relato da noiva Valéria Santana da Silva, de Sorocaba (SP), que cancelou o casamento, a compra de um apartamento, saiu do emprego e perdeu cerca de R$ 5 mil por conta de um golpe aplicado por uma estelionatária, que a prometeu uma nova vida fora do Brasil.

A vítima, de 30 anos, e o noivo, Luciano Carlos Tavares, de 26 anos, souberam da suposta proposta de trabalho por meio de um site de vendas que anunciou a necessidade de pessoas para trabalhar fora do país. A vítima entrou em contato e a responsável pela viagem conversou com Valéria por uma rede social.

"Estávamos com o casamento marcado para o dia 24 de novembro deste ano. Já havíamos dado entrada em um apartamento, mas cancelamos tudo e saímos do emprego quando recebemos a proposta da viagem", disse Valéria.

Ao G1, Valéria contou detalhes do golpe em que caiu, com a esperança de conseguir uma oportunidade de trabalho no Canadá.


Anúncio era feito em um site de vendas 
(Foto: Arquivo pessoal)

Valéria registrou a ocorrência no dia 25 de maio, antes da data de partida da viagem, que ocorreria no dia 27 de junho, pois estava suspeitando da mulher e foi orientada pela Polícia Civil que se pegasse a suspeita em flagrante poderia acionar a PM.

"Ela nos prometeu trabalho no Canadá, em Vancouver. O meu marido ia ser motorista e eu trabalharia no escritório de uma pousada na área de vendas", afirmou.

O casal então marcou um encontro com a suspeita em um shopping da cidade, no dia 6 de maio, quando a mulher contou os detalhes da viagem e informou que o único custo que eles teriam seria referente ao passaporte e o visto.

Os dois depositaram em uma conta informada pela suspeita, em nome de outra pessoa, o valor de R$ 5 mil, R$ 2,5 mil de cada. Valéria conta que chegou a emprestar dinheiro para conseguir a quantia necessária da documentação.

A suspeita informou ao casal que tinha um contato no consulado brasileiro e que essa pessoa iria ajudar a acelerar o processo de emissão do passaporte e visto, mesmo que houvesse a possibilidade do visto ser negado.

As ofertas também eram feitas para as pessoas trabalharem em uma construtora, onde a mulher informava ter cinco sócios. Outra pessoa agia junto com a suspeita e se passava por um encarregado da criminosa, usando fotos de outra pessoa em uma rede social.

"Eu contei sobre a viagem para uma amiga e o irmão dela pesquisou a foto do homem que ela dizia ser sócio e encarregado dela nos EUA. Foi quando descobrimos que o perfil era de um médico, com outro nome".

O grupo com cerca de nove pessoas que iria trabalhar fora do país precisava ir primeiro para o Rio de Janeiro, onde passaria uma semana antes do destino final para fazer a retirada da documentação mais rápido, conforme a vítima.

Eles se encontraram na casa da suspeita, no dia 27 de junho, em um apartamento do bairro Campolim, em Sorocaba, onde foram recebidos pela mãe dela. A partida estava prevista para as 17h, mas o grupo aguardou até as 19h e ninguém apareceu.

O casal continua desempregado e está morando em um apartamento alugado. O dono do imóvel se sensibilizou com a história e permitiu que eles ficassem no apartamento.

Depois da data de encontro da suposta viagem, a mulher não atendeu mais às ligações e não foi encontrada na casa onde morava. Valéria informou que há um grupo de vítimas da mulher em uma rede social, com cerca de 11 pessoas.

Sequência de vítimas

A oferta de $ 40 por hora - cerca de R$ 156,87, conforme cotação na tarde desta quinta-feira (5) - para trabalhar como servente de pedreiro e pintor em Nevada, nos Estados Unidos, também convenceu Rafael Rodrigo dos Santos, de 24 anos, morador de Votorantim (SP), que está desempregado.

O modo como a vítima entrou em contato com a suspeita foi o mesmo: por meio de um site de vendas na internet que anunciou a tentadora vaga de trabalho fora do país. Ele procurou a mulher, que contou a história da construtora, no dia 7 de junho.

Dessa vez, o encontro foi marcado na casa da estelionatária, o apartamento no Campolim. "Ela me passou um endereço falando que era a casa dela, onde mora a mãe e o filho. Levei minha esposa, meu filho e meu irmão, que é advogado e não desconfiou de nada", explicou Rafael.

A mulher disse que ele só precisaria pagar a documentação e que a passagem de ida e volta era por conta da empresa contratante. Rafael confirmou que a construtora informada pela mulher realmente existia.

Antes de viajar, todos iriam aguardar em um condomínio no Rio de Janeiro até os papéis ficarem prontos. O jovem contou que foi em busca do endereço e da pessoa que iria recebê-los, mas foi informado de que naquele local não havia ninguém com aquele nome, momento em que soube do golpe.

"Liguei no condomínio para saber se tinha alguém com o nome que ela passou, mas não tinha", disse.

Todo o processo durou cerca de 30 dias, desde o contato feito pelo site até a data da suposta viagem. O valor dos documentos cobrados por pessoa pela mulher era de cerca de R$ 3 mil, mas Rafael perdeu R$ 6 mil, porque também pagou para um amigo ir com ele. Rafael registrou um boletim de ocorrência no dia 28 de junho.

"No dia de ir para o Rio de Janeiro, nos encontramos no prédio no Campolim. Cerca de nove pessoas, todos com mala, e as famílias para se despedirem. Nós fomos ao prédio 16h45, um pouco antes do combinado, até as 19h, mas ninguém apareceu."

O G1 entrou em contato com a Polícia Civil, que informou que, até o momento, foram registrados cinco boletins de ocorrência sobre o mesmo golpe, com seis vítimas no total, já que Valéria e Luciano registraram juntos.

A Polícia Civil afirma que a mulher foi identificada, mas está foragida, e que investiga se a suspeita também aplicou o golpe em outras regiões do país.

*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

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