Durante pontificado, Bento XVI determinou novos rumos para Igreja Católica.


27 de Fevereiro de 2013 - Após oito anos de pontificado, Bento XVI renunciará oficialmente nesta quinta-feira ao trono de Pedro tendo determinado, como papa, as linhas de renovação e purificação da Igreja Católica, em um período marcado pelos casos de pedofilia entre sacerdotes e pelo escândalo do Vatileaks, que tornou públicas as tramas e intrigas do Vaticano.
Aos 85 anos e com problemas de saúde, Joseph Ratzinger passa o cargo a um papa que tenha - segundo disse em seu discurso de renúncia - o vigor "tanto de corpo como de espírito para governar a Barca de São Pedro e anunciar o Evangelho".
O papa esteve à frente da Igreja Católica em um período conturbado no qual vieram à tona centenas de casos de abuso sexual de menores cometidos por clérigos de congregações da Irlanda, Estados Unidos, Alemanha, Áustria e Bélgica, entre outras.
Mas esses fatos certamente não o surpreenderam, já que poucos dias antes de ser eleito papa - em 19 de abril de 2005 -, o então cardeal Ratzinger denunciou "quanta sujeira e quanta soberba há na Igreja e entre os que por seu sacerdócio deveriam se entregar ao Redentor".
Depois de assumir o pontificado, começou a "limpar essa sujeira" pelo fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Marcial Maciel, punido por pedofilia.
O papa determinou uma política de "tolerância zero" em relação aos abusos, o oposto do que era feito até então, quando esses casos eram mantidos em sigilo e resultavam apenas na transferência do pedófilo para outras paróquias.
Bento XVI também reformulou o Código de Direito Canônico e introduziu o delito de "posse de pornografia infantil pelo clero" e exigiu que os culpados fossem denunciados à justiça, pois segundo ele "o perdão não substitui a justiça".
Quando o cenário parecia mais calmo, o escândalo do "Vatileaks", em 2012, sacudiu o Vaticano ao revelar intrigas e corrupção no Estado.
Segundo alguns veículos de imprensa, o papa decidiu renunciar após tomar conhecimento dos relatórios sobre o Vatileaks e reconhecer que era imposível controlar a cúria romana, diretamente relacionada aos esquemas de corrupção e tráfico de influência.
O líder da Igreja Católica admitiu que os escândalos o deixaram "triste", mas não a ponto de justificar sua renúncia. Além disso, disse que sempre acreditou que "não se pode abandonar o rebanho quando os lobos se aproximam".
Durante seu papado, Bento XVI também criou um "Ministério" para a nova evangelização e deixou nas mãos do futuro pontífice as negociações acabar com o cisma na Igreja que teve início em 1988, porque um grupo tradicionalista que tem seus membros conhecidos como "lefebvrianos" não aceita o Concílio Vaticano II e nem o dossiê sobre o Vatileaks.
Bento XVI também aprovou normas para a transparência do Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o banco do Vaticano, e que também esteve envolvido em vários escândalos financeiros internacionais.
Nesses oito anos, o papa conduziu a Igreja Católica com base no diálogo entre fé e razão e no ecumenismo, e buscou prosseguir com as missões de trabalho determinadas pelo Concílio Vaticano II, além de defender com veemência o "dom da vida", desde o momento da concepção até a morte natural, e a liberdade de educação. Também estipulou a família - que tem origem a partir do casamento entre um homem e uma mulher - como célula básica da sociedade.
O avanço do secularismo e o relativismo foram fontes de preocupação constante para Bento XVI, que tentou fazer com que Cristo voltasse a ser o "centro da vida" da Igreja e do homem, "em um mundo que acredita que já não precisa de Deus" e que "não reconhece nada como definitivo e só se importa com os desejos e interesses individuais de cada um".
Durante o Sínodo de Bispos sobre a Eucaristia, em 2010, o papa afirmou que quando Deus é expatriado da vida pública e só é admitido como "coisa privada" a tolerância dá lugar à hipocrisia.
Bento XVI defendeu o celibato sacerdotal e "fechou as portas do sacerdócio" para homossexuais, mas concedeu mais dispensas para que padres pudessem se casar do que seu antecessor, João Paulo II.
Durante seu pontificado, ele tentou melhorar as relações com os judeus, assunto que gerou fortes controvérsias por ter excomungado um bispo que nega a existência do Holocausto e acelerado a beatificação de Pio XII, que os judeus acusam de não ter tomado providências contra o nazismo.
Bento XVI também abriu as portas da Igreja Católica para os tradicionalistas anglicanos, contrários às medidas liberais da Comunhão Anglicana, como a ordenação de cerca de meio milhão de mulheres e de homossexuais, que se tornaram bispos. Ele tentou reduzir a cúria para torná-la mais eficiente, mas não obteve sucesso. A reforma é um dos temas que deixou pendente.
Além disso, foi um dos pontífices que mais se preocupou com as questões ambientais, denunciando a erosão, o desmatamento, o esgotamento dos recursos minerais e dos oceanos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário