Testemunhas dizem que jovem foi morta após conversa no WhatsApp

Américo Vinhas, suspeito de agredir jovem 
grávida
(Foto: Reprodução/ TV Bahia)



20 de JUNHO de 2016 - Duas testemunhas da morte de Jéssica Nascimento, 21 anos, que estava grávida e perdeu o bebê, em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, afirmaram, em depoimento à polícia, que o suspeito de cometer o crime, discutiu com a vítima após ela usar o aplicativo WhatsApp. O estudante Américo Francisco Vinhas Neto, 24 anos, está foragido há mais de um mês.

Os depoimentos foram obtidos pelo G1 nesta segunda-feira (20). Uma das testemunhas afirma que Américo ficou "alterado" após usar drogas junto com o grupo de três amigos que estavam na casa da vítima no dia do crime e "começou a implicar" com a vítima quando ela usava o aplicativo de mensagens.

A testemunha afirma que "estranhou" a atitude do suspeito, porque elas saiam juntas há quatro meses e era a primeira vez que tinha visto ele. Outra testemunha diz que Américo ficou "incomodado" com as mensagens que chegavam ao celular de Jéssica no dia do crime.

A advogada da família da vítima, Nádia Cardoso, defende que o suspeito cometeu o crime por ciúmes, ao ver que a jovem estava usando o celular. "Ele matou ela por motivo fútil, torpe. Ele matou Jéssica devido a ciúmes. No momento do crime, ela estava no WhatsApp mandando mensagens, ele pediu para ela sair do celular e ela se negou", afirma a defensora. Ela defende que o suspeito responda pelo crime de homicídio qualificado, cuja pena pode chegar a 30 anos.

Testemunhas afirmam que 
suspeito agrediu
vítima após ela usar celular
(Foto: Reprodução)


O G1 entrou em contato com o advogado de Américo, Gutermberg Macedo, mas os telefonemas não foram atendidos. Em depoimento à polícia também obtido pelo G1, Américo afirma que usou drogas como maconha e cocaína no dia do crime, mas que não se lembra do que aconteceu.

Ele diz que bateu a cabeça na parede, perdeu a consciência e só recuperou quando estava na delegacia. Américo ainda nega ter agredido Jéssica, diz que tinha dado beijos na vítima, mas afirma que nunca teve relacionamento sexual com ela. Conforme o depoimento, ele também não tinha conhecimento da gravidez da jovem.

Ele chegou a ser preso no dia do crime, mas foi liberado após pagamento de fiança. Depois da soltura, a polícia pediu a prisão de Américo, mas ele não foi localizado.


Julgamento
O caso da morte de Jéssica Nascimento foi encaminhado para o Tribunal do Júri pela Vara de Violência Doméstica Familiar Contra a Mulher da cidade, que declinou da competência de julgar o processo por entender que o suspeito do crime não teve intenção apenas de ferir, mas sim de matar a vítima.

O Tribunal do Júri é competente para julgar homicídios e crimes dolosos contra a vida, como estupro e aborto. A decisão da Justiça foi baseada no entendimento do Ministério Público, que apontou, conforme depoimentos, que o suspeito tinha intenção de causar a morte da vítima.

Américo foi indiciado pela polícia por lesão corporal seguida de morte e dano qualificado. O primeiro com pena de até 12 anos e o segundo com pena de até 3 anos. O inquérito foi concluído pela polícia no dia 25 de maio, um mês após o espancamento de Jéssica. Ela morreu no dia 10 de maio, após ficar internada em hospital em coma induzido.

Jéssica Nascimento morreu após 
ser espancada
(Foto: Reprodução/ TV Bahia)


A juíza da Vara de Violência Doméstica Familiar Contra a Mulher afirma, na decisão, que, no dia do crime, quando estava reunido na casa de Jéssica, com ela e um grupo de três amigos, Américo agrediu a vítima "abrupta e violentamente", com socos, especialmente na região do rosto.

"O autor do fato rechaçou todas as tentativas dos presentes em conter sua fúria, retornando, ato contínuo, às agressões, ao assentar-se sobre a vítima, já indefesa, e aplicar-lhe nova investida com os punhos. As agressões resultaram em lesões crânio encefálicas, relacionadas a causa mortis da vítima", diz a decisão.


Do G1 BA

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